Por que não bater? - Ipecs

Por que não bater?

26-07-15 admin 0 comentário

Por que não bater?

Ms. Kelly Renata Risso Grecca

Porque bater nada tem a ver com ensinar a ter limites, na verdade, são atitudes até opostas. Quem bate dá uma verdadeira aula de falta de limites próprios e até covardia;
Porque existem formas mais eficientes e humanas de manter a disciplina, ex. mensagens positivas;
Porque, com o tempo, a famosa palmadinha leve no bumbum, que tanta gente defende como inofensiva, deixa de surtir efeito e acaba se transformando em palmadas cada vez mais fortes e, ao final, em verdadeira surras;
Porque, mesmo obedecendo, a criança não aprende verdadeiramente, apenas deixa de fazer certas coisas por medo de apanhar;
Porque depois, quando os pais se acalmam, sentem-se culpados e tendem a afrouxar de novo os limites, para diminuir a culpa;
O que a palmada realmente ensina é:

A temer o mais forte, o maior ou mais poderoso;
Que o comportamento agressivo é válido;
Que a agressão física e uma atitude normal e praticável;
Que a força bruta e mais importante que a razão e o diálogo;
Que os pais, não são confiáveis;
Que ocultar ou omitir fatos pode dar bons resultados e evitar boas palmadas – afinal, quando os pais não ficam sabendo dos erros ou das faltas dos filhos, não batem;
Que de quem se espera amor podem vir pancada e agressão;
Mas como disciplinar sem bater?

É comum que os pais se esqueçam de elogiar os bons comportamentos.

Assim, as crianças ficam com a sensação de que não vale a pena fazer tudo certinho, afinal não recebem qualquer estímulo, às vezes, nem um simples olhar aprovador, porém, quando erram, o mundo parece que vai acabar, então para que se esforçar.

A melhor forma de se alcançar um objetivo educacional é elogiando, incentivando e ressaltando tudo de bom que a criança faz.

Entendendo que premiar não é obrigatoriamente dar coisas materiais.

Maior valor tem um carinho, um elogio sincero, o reconhecimento do esforço.

Ao longo dos anos, se os acostumarmos a serem comprados, subornados ou chantageados, eles aprenderão a agir dessa forma calculista, se ao contrário, lhe dermos carinho e aprovação, eles terão sua auto-estima elevada e, a cada dia, sentirão mais prazer em agir de forma adequada.

Fazendo com que a criança assuma a consequência de seus atos.

Devemos conversar e agir quando eles erram, explicando, apontando e fazendo com que reflitam sobre suas atitudes incorretas, com o cuidado de nunca relacionar uma atitude a características pessoais.

Devemos criticar o fato, e não a criança. Apresente o fato como algo a ser analisado, repensado e refeito, sempre dentro das possibilidades da idade e compreensão da criança, nunca como algo imutável.

Assim, ele não se sentirá ofendido, nem humilhado, e acreditará que, mudando de atitude, tudo ficará bem.

Se você relacionar o fato a uma característica pessoal, a criança vai se sentir derrotada, sem possibilidade de mudanças.

É preciso que a criança compreenda que ela é responsável pelos seus atos e também, pelas suas consequências.

Referência:
Zagury, Tânia (2000). Limites sem Trauma, Construindo Cidadãos. Ed. 83. Rio de Janeiro: Record



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