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A utilização da comunicação alternativa como proposta de desenvolvimento da comunicação

23-02-15 admin 0 comentário

A utilização da comunicação alternativa como proposta de desenvolvimento da comunicação

Autoras: Suzelei Faria Bello, Andrea Carla Machado, Candice Lima Moreschi

A comunicação permite aos seres humanos a transmissão de conceitos e idéias ao longo dos tempos entre gerações. A fala constitui uma das formas de comunicação mais usada pelos seres humanos, e quando, por alguma razão ela encontra-se deficitária é imprescindível a criação de recursos alternativos para a comunicação oral. O recurso da comunicação alternativa – CA – possibilita a comunicação de pessoas com dificuldade de se comunicar por meio da falar e/ou escrita. Existem vários métodos que proporcionam essa comunicação. Podendo encontrar pranchas de comunicação como exemplos desta categoria:

Fonte:  http://www.comunicacaoalternativa.com.br

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No aprofundamento sobre essa temática permite-se construir um panorama voltado para a comunicação humana, pois para Rodrigues et al. (2000, p.24) “A comunicação permita ao homem transmitir e interpretar sentimentos e pensamentos, interagindo com outros indivíduos numa troca de informações e experiências que o enriquece no decorrer da vida”. Pessoas com necessidades especiais que perdem ou não possuem a habilidade de comunicação convencional, precisam de apoio para se comunicar. Esse auxílio pode vir da área denominada de comunicação alternativa – CA (PELOSI,2005).

A comunicação alternativa define toda forma de comunicação além da convencional, como o uso de sinais manuais, expressões faciais, pranchas de comunicação incluindo símbolos gráficos e sistemas de computação (PELOSI, 2005). A implementação de um Sistema de Comunicação Aumentativa refere-se ao recurso, estratégias e técnicas que complementam modos de comunicação existentes ou substituem as habilidades de comunicação inexistentes (PAULA,et. al. 2007).

Os sistemas de CA podem ser manuais que não demandam auxílios externos, possibilitando independência ao usuário. Podem ser os: gestos de uso comum, gestos idiossincrásicos, alfabeto digital e Língua Brasileira de Sinais, mas sem as flexões e outros marcadores gramaticais complexos já que são utilizados por ouvintes.

Outra forma seria os sistemas gráficos podendo ser definidos como símbolos diferentes e com categorias próprias, sendo fotos, desenhos, desenhos abstratos. Os mais

PECS – Picture Exchange Communication System; Blissymbols dentre outros. No Brasil

o PECS foi adaptado por Walter (2000) aplicado em contexto do currículo funcional natural, o que permite partir das necessidades do sujeito para construção de suas categorias funcionais.

Portanto, o modelo de CA ao voltar-se para o contexto educacional pode refletir

em inúmeras estratégias para otimizar o acesso e a permanência da pessoa com necessidades especiais. Nela encontram-se possibilidades de auxílio para proporcionar adaptações com diversos materiais e estratégias para envolver a criança ou jovem no processo de ensino-aprendizagem.

A escola pode trabalhar em sistema colaborativo envolvendo gestores, pais, professores e outros profissionais para melhor atender a necessidade que se encontra naquele momento.

Diante do exposto pode-se verificar, de acordo com Braccillia (2007), que as Tecnologias Assistivas, e nela inserida a CA, podem permitir que as pessoas com necessidades especiais tenham um maior controle sobre suas vidas; possam participar e contribuir mais ativamente nas atividades em casa, no lazer, na escola, e no ambiente de trabalho, e em suas comunidades; possam interagir mais intensamente com os indivíduos não-deficientes; tenham as mesmas oportunidades concedidas as pessoas não-deficientes durante a realização de exames.

Assim, torna-se importante proporcionar algum dispositivo ao usuário oferecendo a possibilidade do conhecimento de sua realidade, bem como elaborar projetos coerentes com o contexto e a necessidade e avaliar o uso e a adaptação para que a proposta se torne funcional e contemple as necessidades do sujeito.

Referências

BRACCIALLI, L. M. P., MANZINI, J. E. Considerações teóricas sobre a posição sentada do aluno com paralisia cerebral espástica: implicações orgânicas e indicação de

mobiliários. In: Marquezine, M.C. e colaboradores. Educação física, atividades motoras e lúdicas, e acessibilidade de pessoas com necessidades especiais. Londrina:

Eduel, 2003. Coleção Perspectivas Multidisciplinares em Educação Especial. p.73- 86.

PAULA, K.M.P.; ENUMO, S.R.F. Avaliação assistida e comunicação alternativa: procedimentos para a educação inclusiva. Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, Jan.-Abr. 2007,

v.13, n.1, p.3-26.

PELOSI, M. Comunicação alternativa. Tecnologia Assistiva e Comunicação Alternativa, Rio de Janeiro, 2005. Disponível em: http://www.comunicacaoalternativa.com.br. Acesso em: 12 maio 2008

RODRIGUES, P.M.T.; CARVALHO, E.L.L.; AREIAS, A.M.; BURGUETTI, F.A.C.;

WENDLING, F.F.; SABATÉ, F.M. Incidência de distúrbios da comunicação humana

em pré-escolares. Temas sobre Desenvolv. 2000; 9(50): 24-7.

WALTER, C.C.F. Os efeitos da adaptação do PECS associada ao Currículo Funcional

Natural em pessoas com autismo infantil, Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós- Graduação em Educação Especial, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos,

2000.

Autoras:

Suzelei Faria Bello – Fonoaudióloga, Mestre e Doutoranda em Educação Especial pelo

Programa de Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos – UFSCAR – SP.

Bolsista CNPq

Andrea Carla Machado – Pedagoga e Psicopedagoga, Mestre e Doutoranda em Educação

Especial pelo Programa de Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos –

UFSCAR – SP. Bolsista FAPESP.

Candice Lima Moreschi – Fonoaudióloga, Mestre e Doutoranda em Educação Especial pelo

Programa de Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos – UFSCAR – SP.

Bolsista FAPESP.



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